Esta edição do campeonato do mundo fica sem dúvida marcada pelo extraordinário resultado daquele que é o melhor triatleta nacional de longa distância de sempre.
Sérgio Marques, aos 39 anos, alcançou o seu melhor registo no WCKona com 8:35:12 vencendo a classificação geral Age Group (amadores) com um tempo que o colocaria em 30º lugar entre profissionais. Na sua 8ª participação no WCKona, o Sérgio já chegou a fazer 19º da geral, já chegou a fazer o melhor registo na corrida com 2:43:55, mas o seu melhor tempo era 8:38:29.
Para quem foi seguindo o WCKona cedo percebeu que o Sérgio iria discutir os primeiros lugares no seu AG 35-39, com uma natação ao seu nível em 58:51 saía em 26º do seu AG, com um ciclismo muito sólido e consistente em 4:37:55, cedo chegou ao top 10 e assim se manteve até à T2. Faltava a corrida, e rapidamente se viu o Sérgio nos primeiros lugares, até aqui em Portugal se conseguia ouvir o Hélder Milheiras em Ali’Drive a gritar “comeeee, comeeeeeeee” ainda com poucos km’s já dava para perceber que já não iria ser “apenas” o melhor do seu AG, mas sim o melhor de todos os AG, com uma corrida ao seu melhor nível em 2:53:19, com o 2º AG a 9:00 de distância, o nosso Sérgio Marques cruzava a meta dos sonhos como Campeão do Mundo.
O percurso do Sérgio Marques na longa distância foi-nos contado pelo próprio e pode agora ser recordado através de uma entrevista que publicámos em vídeo.
Este ano Portugal teve mais quatro triatletas no WCKona, o que vai sendo um hábito nos últimos anos, com destaque para a excelente estreia do Rui Narigueta que completou a prova em 9:35:52, alcançando o 32º lugar AG 40-44, dois repetentes com bom desempenho, o Pedro Rui Silva com 10:14:27 em 129º lugar AG 40-44, o Carlos Cruz com 10:25:05 em 120º lugar AG 45-49, e mais um estreante, o Nuno Fernandes que completou o sonho de muitos em 11:58:33, no 234º lugar AG 40-44.
Na competição profissional feminina, a maior surpresa acabou por ser a grande quebra da 4 vezes campeã do mundo Daniela Ryf, que nunca se encontrou e terminou na 13ª posição. Como habitual a prova foi lançada pela melhor nadadora, a inglesa Lucy Charles que completou os 3,8km de natação em 49:02, e manteve-se na frente da prova até meio do segmento de corrida, onde a alemã Anne Haug impôs a sua forte corrida completando os 42,2km em 2:51:07, sagrando se a Campeã Mundial Ironman 2019. Lucy Charles chegava pelo terceiro ano consecutivo em 2º lugar, a completar o pódio a australiana Sara Crowley que protagonizou nos últimos km’s uma excelente luta com Lucy.
Na competição profissional masculina, todos esperavam ver uma “ironwar” entre os dois últimos campeões alemães, Patrick Lange e Jan Frodeno, mas cedo se percebeu que o ex-campeão não estava bem, e acabou por desistir com poucos km’s de ciclismo, na frente formava-se um trio com Jan Frodeno, o americano Tim O’Donnell e o campeão olímpico Alistair Brownlee, após uma excelente natação em 47:31, o grupo seguia a bom ritmo quando nos últimos 40km dos 180 de ciclismo, Jan Frodeno decide imprimir um ritmo mais forte deixando os restantes para trás, acabou por chegar a T2 com mais de 2’ de vantagem, desta vez o segundo grupo, onde habitualmente estão os melhores “ciclistas”, como Cameron Wurf, Sebastian Kienle ou Lionel Sanders, nunca chegou perto dos homens da frente e acabavam o segmento com cerca de 4’ de atraso para Frodeno. Já nos 42,2 quilómetros não se registaram grandes alterações, dos 5 primeiros após o ciclismo apenas Brownlee, com uma grande quebra acabou por ceder, e o americano Ben Hoffman fazia uma excelente recuperação com a melhor corrida do dia em 2:43:08.
Jan Frodeno sagrava-se pela terceira vez Campeão Mundial Ironman 2019, seguido de Tim O’Donnell com um excelente 2º lugar, a completar o pódio mais um alemão, Sebastian Kienle em 3º lugar com uma prova muito consistente, Ben Hoffman garantia o 4º lugar e o australiano Cameron Wurf fechava o top 5 em 5º lugar.