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Editorial - A revolução
O crescimento explosivo dos grupos de treino abriu uma nova frente de debate dentro da nossa modalidade. No centro dessa discussão está uma pergunta simples na forma, mas profunda nas implicações: o que deve ser o triatlo, uma comunidade, um serviço ou ambos? As entrevistas que reunimos ao longo das últimas semanas mostram duas visões que se cruzam. Por um lado, treinadores que defendem que “quanto mais individualizado o treino, melhor”, lembrando que a evolução do triatleta acontece no detalhe, na gestão personalizada de cargas, no diálogo entre atleta e treinador. Por outro, responsáveis de clubes que insistem na força do coletivo, no orgulho regional, na história, na camisola e na formação que se transmite de geração em geração. Isto não significa que um modelo seja melhor do que o outro, nem tão pouco inconciliáveis. Significa apenas que não são, e nunca foram, a mesma coisa.
Os clubes sentem a pressão. Alguns treinadores confessam que nunca tiveram tantos atletas a sair para grupos independentes. Outros garantem que tal ainda não se verifica e que o associativismo continua sólido, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. A verdade, porém, é que a realidade está a mudar: os grupos de treino tornaram-se parte estrutural do ecossistema e não apenas uma tendência passageira. A transformação está em marcha e as duas dimensões estão condenadas a coexistir sem que uma destrua a outra. Os grupos de treino trouxeram inovação, flexibilidade, especialização e novos públicos. Os clubes continuam a ser a base do triatlo português: acolhem jovens, formam atletas, sustentam calendários, mantêm viva a cultura da modalidade. Decidimos contribuir para este debate para ajudar a pensar o futuro da nossa modalidade quando assinalamos dez anos de revista. Obrigado a todos os que continuam a confiar em nós.