Capa

Capa da edição 2 da Revista Triatl3ta

Editorial

Vanessa Fernandes regressa ao triatlo, “oito anos depois, volto inteira”, foi desta forma que assumiu o regresso ao palco olímpico Tóquio 2020 como o objetivo principal, o talento natural e o esprito competitivo que a caracterizam e que fazem dela um fenómeno do triatlo mundial com 38 vitórias, sendo 20 da taça do mundo. Este regresso será um impulso para a modalidade e uma inspiração para os mais jovens.

O inicio de mais uma época desportiva traz sempre a esperança de um forte crescimento no número de inscrições na modalidade. Infelizmente, isso não é verdade e o que esta direção tem pela frente é um trabalho árduo de divulgação e captação de atletas, no qual os clubes, também, terão um papel fundamental. Felizmente, a ética, a verdade desportiva e a relação entre clubes, treinadores e agentes desportivos é característica desta nossa modalidade. Conseguimos entusiasmar quem assiste e quem vem experimentar a modalidade pela primeira vez, é impossível ficar indiferente ao triatlo!

A Triat3ta estará presente nas provas do calendário desta época, de triatleta para triatleta, sentimos a modalidade na primeira pessoa. Queremos crescer e aprender, queremos ser o meio de divulgação de todos os momentos, do primeiro ao último classificado, estaremos lá.O inicio deste ano fica, também, marcado pela alteração do regulamento eleitoral e do seu quadro de delegados, que serão eleitos ao invés de nomeados. Esta alteração, imposta pelo IPDJ – Instituto Português da Juventude, é uma oportunidade para aproximar clubes e para avaliar o desempenho dos delegados eleitos.

Agradeço a forma apaixonada de todos os que colaboram com a Triatl3ta, que sem lamentos e sem horários, trabalham ao fim de semana, como se de um dia normal do seu emprego profissional se tratasse. Estes Triatl3tas, excecionais, fazem com que seja possível apresentar noticias, entrevistas, depoimentos e crónicas como se fossem jornalistas profissionais.

Sinto-me feliz e grato por ajudar o triatlo.

Filipe Valente
Editor

Sumário

Opinião

7

João Pereira

João Pereira dá a sua opinião sobre treinos de inverno

18

SMS Migalhas

Helder Milheiras fala-nos sobre o Ironman de Roth

Entrevistas

10

Miguel Arraiolos

Miguel Arraiolos conta-nos o seu percurso no triatlo até chegar ao CAR

16

João Ferreira

"Ir aos Jogos... não é fácil... mas também não é impossível"

20

Rui Dolores

Fala-nos da sua experiência em Triatlo Cross

50

Ana Quintas

"Sou uma treinadora missionária"

60

Hugo Sousa

Fala-nos um pouco da HMS Sport e do Setúbal Triathlon

Competição

23

Lezírias

Campeonato Jovem e Campeonato Nacional PORTerra

28

Torres Vedras

Campeonato Nacional de Clubes

31

Arronches

Campeonato Nacional de Clubes, Campeonato Nacional de Cadetes, Campeonato Nacional de Júniores

34

Portalegre

Campeonato Nacional Jovem de Estafetas

36

Rio Maior

Campeonato Nacional de Clubes e Campeonato Nacional Universitário

39

Semideiro

Campeonato Nacional Jovem

42

Barreiro

Campeonato Nacional PORTerra

Escolas

46

Golegã

Fomos visitar a escola de Triatlo do Nucleo do Sporting da Golegã

Competir lá fora

50

70.3 Dubai

Ricardo Cabral (Ironfarmer) conta-nos a sua experiência no Dubai

58

Abu Dhabi

A primeira prova da WTS, os seus participantes contam-nos como foi

João Pereira

"É durante os meses de inverno, enquanto as competições não co- meçam, que devemos construir as bases para a época que está a começar."

João Pereira

Durante o inverno nem sempre apetece abrir a porta e sair de casa para ir treinar. Ou porque faz muito frio lá fora ou porque chove, porque é muito cedo e ainda é de noite na rua ou simplesmente porque o calendário das provas está muito longe e pensas que tens tempo para treinar depois, a verdade é que acredito que nem sempre seja fácil arranjar vontade ou motivação para ir treinar.

Mas lembra-te que é durante os meses de inverno, enquanto as competições não começam, que devemos construir as bases para a época que está a começar. É agora a altura de colocar volume nos nosso treinos. É talvez essa a época mais importante do ano, aquela que irá ditar o teu desempenho nas competições que se avizinham. Pensa naquilo que queres em termos desportivos e traça os teus próprios objectivos para esta temporada. Planeia os teus treinos e as competições que queres fazer e não deixes que a preguiça te demova. Supera-te! E lembra-te: os períodos de recuperação são tão importante como os treinos. Aprende a conhecer o teu corpo e respeitar os períodos de regeneração muscular que o teu corpo necessita. Se andas a treinar mais, então, é natural que também tenhas de descansar mais. Tem igualmente em atenção que é super importante alongares sempre depois dos treinos, dormires bem, e teres uma alimentação e suplementação adequada. Já para não falar do equipamento que te acompanha no treino.

Escolhe material de qualidade e não corras riscos desnecessários, se eventualmente o tempo, na rua, está mau aproveita para treinares indoor, faz rolos ou realiza o teu trabalho de corrida na passadeira, o importante é não o deixares de fazer. Entretanto aproveita o facto de sermos uns privilegiados quanto ao clima, a maior parte dos nossos dias de inverno são de sol e excelentes para treinar ao ar livre.

Miguel Arraiolos

Natural de Alpiarça e tem atualmente 28 anos. Ligado ao desporto desde muito cedo, fez as suas primeiras provas de triatlo em 2003. Ganhou vários títulos nacionais, tanto em triatlo como em duatlo, e ganhou também alguns títulos internacionais como sub-23, individualmente e por equipas. Tendo passado por vários clubes ao longo dos anos, é no Benfica que encontra o maior apoio para continuar a perseguir o sonho Olímpico. Em 2016 alcançou a 44ª posição e tem como objetivo melhorar a sua prestação nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Miguel Arraiolos pronto para iniciar um treino de natação

Miguel, a tua primeira época foi em 2003, nos Águias de Alpiarça. Já praticavas algum desporto antes?

"Sim, eu sempre fiz desporto. Aliás, os meus pais fizeram desporto a vida toda, por isso acho que tive uma grande influência. Os meus pais faziam ginástica, então eu comecei logo a fazer ginástica quando era pequenino, mas acho que não era o desporto que me agradava mais. Entretanto, pratiquei um ano de karaté, depois andei na natação, na aprendizagem, e experimentei também o futebol. Aí gostei mais e pratiquei durante uns 6 anos. Depois passei para o triatlo, pelas corridas de corta-mato e pelas corridas da escola, comecei a tomar-lhe o gosto. O meu professor de educação física era o Miguel Jourdan, que me influenciou para experimentar o triatlo e eu acabei por gostar. Estive ainda um ano a fazer futebol e triatlo ao mesmo tempo (risos). Era um bocado exigente, mas acabei por ficar só no triatlo."

Conta-me quais foram as tuas experiências nas várias equipas, antes de ires para o Benfica.

(Nota: 2003-2005 - Águias; 2006/2007 - C.F. Os Belenenses; 2008/2009 - Clube Olímpico de Oeiras; 2010-2012 – Águias)

"Foi muito bom, muito motivador. Porque nos primeiros triatlos, nos águias, tinha uma equipa pequenina, com os meus companheiros da terra. Entretanto, alguns começaram a entrar na faculdade e começaram a desistir e eu acabei por ficar sozinho. Surgiram então estas oportunidades de poder ir para outros clubes com equipas maiores e acabei por me motivar por esse aspeto. E depois foi o facto de ir crescendo de equipa para equipa e de ir evoluindo as minhas competências."

Em 2007 tiveste o teu primeiro resultado de destaque por equipas (medalha de bronze no campeonato do mundo de duatlo de juniores), mas foi em 2008 que os resultados individuais começaram a surgir, como Sub-23. Quando é que percebeste que podias realmente ter futuro na modalidade?

"Foi mesmo nesta fase. Até 2007 senti sempre grande evolução, mas de facto ainda não conhecia bem o meu corpo e o ambiente competitivo. São coisas que demoram tempo e uma pessoa pensa sempre que está bem, mas depois há sempre muito a melhorar. Quando, em 2008, alcancei esse resultado foi muito bom! Achei que estava no bom caminho e que realmente conseguiria chegar mais longe e valia a pena apostar."

Usando algumas palavras do teu blog: “o ano de 2012 não foi mau. Campeão nacional universitário, campeão nacional de triatlo e duatlo 20-24 anos e o 2º lugar no ibero-americano disputado no Brasil, são resultados que honram qualquer atleta.”
E aí começou uma nova etapa! O ano em que vais para o Benfica e começa o ciclo olímpico! O que é que mudou na tua vida a partir do momento em que te apercebes que vais lutar por um lugar nos jogos olímpicos?

"Foi o ano completamente diferente de todos os outros, porque foi um ano em que eu passei de sub-23 a sénior e deixei de ter a oportunidade de participar em campeonatos da europa e do mundo de sub-23, ou seja, nas camadas de formação, onde eu me motivava mesmo muito. Fiquei realmente um pouco triste por já não ter essas oportunidades e agora estar nas elites. Não me fui muito abaixo, mas pensei que teria de me esforçar o dobro, ou então corria o risco de ficar de fora da comitiva olímpica. Mas de facto conseguir integrar a equipa do Benfica foi fantástico e motivou-me, pois entrar numa equipa desta dimensão é diferente. É um clube onde um atleta ganha sempre motivações extra. A partir daí foi esse pensamento que eu tive. Se não conseguisse entrar nas provas de elite, não teria mais oportunidades."

E como é que descreves a tua preparação olímpica, durante esses 4 anos?

"Em 2012 sentia ainda que estava um bocado abaixo do nível em que poderia lutar por uma classificação olímpica. Ou pelo menos era isso que eu achava… Eu deveria ter mais confiança em mim próprio e na altura não tive tanta. 2012 foi o ano em que participei pela primeira vez numa etapa mundial e essa mesma prova, onde fui sem expectativas, acabou por correr melhor do que esperava. Quando entrei em 2013 e comecei a fazer resultados que me poderiam dar acesso à qualificação olímpica, comecei a acreditar mais em mim."

O que te ajudou a ganhar mais confiança?

"Acabei por conseguir patrocínios, pois estava na seleção ao mais alto nível e a tentar a qualificação olímpica. O Benfica acabou por me ajudar imenso. Na altura, a Treck e a Under Armour eram os meus patrocínios e permitiram-me focar a 100% nos treinos e no trabalho que tinha de ser feito, porque já não tinha de me preocupar com esses pormenores."

JO 2016. Conta-nos como te sentiste durante aquele tempo no Brasil e durante a prova. (Foi a prova da tua vida?)

"Nós competimos muito lá fora, 6 ou 7 etapas por ano. Apesar de tudo, acabam por ser os mesmos adversários. Tal como nos jogos… acabamos por encontrar 80% dos atletas com os quais costumamos competir, acabando por ser uma prova semelhante às outras todas. No meu caso, não fui com grandes expetativas, com grandes pressões, porque o meu objetivo foi durante os últimos 2 anos, a qualificação olímpica. Corri o mundo umas duas vezes (risos) e tive de me esforçar o dobro dos outros atletas, porque foi mesmo “à queima”. Quando fui qualificado consegui tirar um peso de cima. Entrei na prova a pensar que só tinha de dar o meu melhor e terminar a prova com esse sentimento de ter dado o melhor de mim. O menos importante para mim foram as sensações. Acabei por não me sentir tão bem, porque já tinha ido aos continentes todos por causa da qualificação olímpica e acabei por chegar um bocado desgastado à prova."
Miguel Arraiolos durante um treino de natação

Apesar de vários atletas terem saído do Benfica este ano, como é que te sentes, sabendo que continuas a ser um dos ‘escolhidos’ pelo SLB?

"Já tinham ameaçado o ano passado e acho que há dois anos também. O Benfica é um clube de campeões nacionais e o objetivo é ter o máximo de campeões nacionais possível. A nossa equipa não é muito grande e tínhamos o problema de numa prova internacional em que a comitiva fosse maior, roubava logo mais de metade dos atletas do Benfica e o clube obviamente não ficava contente com isso. Até mesmo com a federação nem sempre era muito saudável, pelo facto de o calendário nacional e o internacional se sobreporem. Então eles disseram que se isto continuasse assim não iriam continuar no mesmo regime e apostariam nos atletas olímpicos. Tenho pena de deixarmos de ter equipa, mas também sinto que têm de manter os atletas olímpicos, porque se têm o projeto olímpico, têm de os manter. Fico contente por fazer parte desse projeto! Acho que está muito bem feito, acaba por juntar a malta e apoiar todos os que estão integrados nesses projetos."

Geralmente, neste primeiro ano pós JO alguns atletas aproveitam para fazer uma época diferente. O que é que tens planeado para os próximos tempos? Mais provas em Portugal?

"Como eu já referi o meu objetivo era a qualificação para os jogos do Rio e dar o meu melhor durante a prova. Desta vez eu quero arrancar para a próxima qualificação num nível mais elevado. Vou querer qualificar-me com mais facilidade e ir aos jogos já com um objetivo de resultados e com expectativas mais altas. Este ano ainda não temos de pensar em qualificações olímpicas e, portanto o meu foco é simplesmente treinar para evoluir mais. Irei participar em mais provas cá em Portugal, pois acabamos por não ir para a Austrália, devido às viagens e ao desgaste. Faremos a Taça da Europa de Quarteira, que já não fazemos há algum tempo, mas o foco principal é evoluir e começar o ciclo olímpico mais forte do que comecei há 4 anos."

Quais são as tuas perspetivas no que respeita à faculdade? Qual é o teu curso?

"Eu estou em ciências do desporto. Falta-me um semestre para acabar a licenciatura. Nestes últimos 2 anos não fiz nada. Foi uma indecisão para perceber se valia a pena fazer este ano ou não, mas eu quero continuar com o triatlo e evoluir ainda mais e conciliar as duas coisas é muito difícil. Realmente considerei terminar o curso este ano, porque é uma coisa que realmente quero fazer, mas depois percebi que tenho que dar um salto e começar a qualificação olímpica mais forte."

Como é que são os teus tempos livres, para além do descanso?

"Quando tenho tempo aproveito para estar com os meus amigos. Sou de uma vila onde toda a gente se conhece e tenho grandes amizades. Não deixo de passar o tempo que consigo lá. É uma terrinha muito fechada e acaba por ser o ponto de encontro."

É visível a tua ligação a Alpiarça, terra natal. Como é que as pessoas de lá te vêem e como é que lidas com essa situação?

"Sinto que toda a gente tem imenso orgulho em ter um alpiarcense nos Jogos Olímpicos e é sempre uma festa quando vou lá. Nem sequer falaram no resultado da prova, sabem as dificuldades da minha carreira, porque sempre me acompanharam. É como se entrassem na minha cabeça e soubessem que o meu objetivo já tinha sido cumprido. Foram uma força extra na altura dos Jogos."

E de que forma é que a tua família te tem apoiado?

"Sempre me apoiaram ao máximo! Aliás, até foram eles que me motivaram a experimentar o triatlo. Seguiram a minha carreira e eu acho que eles sentem o mesmo que eu sinto. Quanto a mim, só sinto orgulho em conseguir ter sucesso por eles. O meu sucesso é o sucesso deles e quando eu me sinto bem, eles sentem-se bem."

Como é a tua relação com o João Pereira? Achas que ele foi uma pessoa importante na tua evolução?

"O João é o colega de treino que conheço há mais tempo. Aqui no centro já tive 3 grupos de treino diferentes. A malta vai saindo, vão entrando outros…e eu e o João mantivemo-nos sempre. A minha vida no triatlo é a minha vida com o João Pereira, basicamente. Separámo-nos 2 anos quando ele foi para Montemor-o-Velho, mas foi como se nada tivesse acontecido. Ele voltou e estava tudo na mesma. Se tivermos alguma decisão a tomar relativamente ao triatlo, tomamo-la em conjunto. Por exemplo, para a prova de Rio Maior decidimos a tática em conjunto. Não há nenhuma rivalidade entre nós, porque sabemos que é mais fácil progredir juntos."
Miguel Arraiolos com os colegas de treino no final de um treino de natação

E quanto ao teu futuro? Passa pela longa distância depois dos jogos de Tóquio? Ainda é cedo para decidir?

"Ainda é muito cedo, sim. Eu neste momento não penso mesmo na longa distância. Daqui a 4 anos posso estar muito bem e posso tentar outro ciclo olímpico. Sinceramente, neste momento não sei bem e não penso de todo na longa distância. Penso mais em acabar o curso e começar o meu percurso profissional."

Qual é a tua opinião/visão sobre o Triatlo em Portugal? Quais são as referências para os próximos anos?

"O triatlo está a crescer imenso. Eu agora vejo as coisas de forma diferente, Quando era mais novo, sem perceber muito, eu seguia os que sabiam. Acho que é esse o segredo: os jovens seguirem os mais velhos, porque assim aprendem mais. Nunca se sabe o que vem no futuro… podem aparecer jovens muito bons, mas depois não continuam, ou não evoluem o suficiente. Por outro lado, também pode haver alguém que não seja tão bom nas camadas jovens e depois evolua bastante e dê um salto. Passaram aqui muitos deles com mais potencial que eu e acabaram por não conseguir continuar por qualquer motivo. Por isso, acho que devemos apoiar todos os jovens e esperar que o máximo de atletas possível consiga continuar."

O que achas que seria necessário para evoluir ainda mais o nível no triatlo em Portugal?

"Acho que o mais importante é juntar grupos fortes e trabalhar em conjunto. Conseguirmos juntar um grupo muito forte aqui no CAR e acho que o objetivo seria as escolas apostarem também em grupos fortes. Por exemplo, um clube que tenha um atleta muito superior ao resto do grupo, talvez tivesse de ser encaminhado para um grupo mais forte."

Como é que vês a chegada da Vanessa Fernandes?

"A vanessa já tentou voltar umas duas vezes sem sucesso. Esta será a terceira vez…. Estamos a acreditar nela! Ela está com muita força de vontade. Esteve muito tempo sem nadar e sem pedalar, por isso vai ter de ter muita paciência. Já está com 32 anos e o que ela pensa é que se não for neste ciclo, já vai ser muito difícil tentar a qualificação olímpica. Chegar ao nível a que ela chegou vai ser muito difícil, porque houve muita evolução no triatlo, principalmente na natação. Mas vamos ver como é que será o processo de evolução dela… "

Para além da Vanessa, também a Melanie e o Vasco passaram a integrar a equipa do Benfica. O que é que conheces do Vasco?

"Conheço muito pouco do Vasco. A sensação que eu tenho é que é um jovem com muito talento. Se correr tudo bem, acho que é um miúdo com muito potencial. Se voltarmos atrás, nas camadas jovens a partir da nossa geração que não temos grandes resultados. O Vasco já fez resultados internacionais "

Escola de Triatlo Núcleo Sporting da Golegã

Escola de Triatlo Núcleo Sporting da Golegã

O Núcleo do Sporting da Golegã foi criado em 1999, com o objetivo de juntar todos os sportinguistas num local próprio, onde pudessem essencialmente assistir ao futebol e acompanhar o Sporting nos seus jogos. Demorou pouco tempo a sentirem que tinham necessidade de fazer mais alguma coisa e começaram numa primeira fase com o cicloturismo, onde fizeram uma equipa enorme, chamando pessoas de todos os concelhos vizinhos. Jaime Rosa - presidente deste clube há oito anos – explica-nos:

"As pessoas gostam de nós, sentem-se bem e dão-se bem com a nossa maneira de estar e foi assim que fomos crescendo. Mais tarde, já por influência da nossa vocação com as bicicletas, surgiu a oportunidade do triatlo. Os meus filhos já praticavam a modalidade na Barquinha, surgiu a oportunidade de trazer para cá o triatlo e começamos no final de 2010 e aqui estamos. As condições que temos, excelentes por sinal, são fruto do trabalho dos nossos sócios e amigos, mas também das excelentes condições que o município nos proporciona, como esta pista de atletismo e as piscinas. O Núcleo do Sporting da Golegã tem uma sede própria e angaria meios para que possa cumprir os seus objetivos. Começamos com um objetivo de escola, porque faz todo o sentido e até porque é mais fácil, mas a escola deve ter referências mais velhas e nesse sentido, contatámos alguns atletas que se enquadravam bem connosco e como se identificaram com a nossa maneira de ser e ver as coisas, ficaram no clube."
O treinador do Clube, Pedro Quintela, orienta uma sessão de treino na pista

É impossivel dissociar o Xterra do Nucleo Sportinguinta da Golegã. Assumidamente a “menina dos olhos” do seu presidente, o primeiro contato que Jaime Rosa teve com o XTERRA foi através da participação o seu filho na prova, que na altura decorreu na Figueira da Foz quando se apurou para ir à final no Hawai.

"O município, nessa altura apoiou-o para que ele pudesse ir e eu acabei também por ir com ele. Nos anos seguintes continuamos a conseguir lá ir, a fazer outras provas na europa através do clube e sempre com o apoio do município, até que em 2013, surgiu a oportunidade de realizarmos aqui na Golegã uma prova de todo-o-terreno a contar para a Taça PORTerra. Correu muito bem! aqueles atletas que já tinham feito varias provas do XTERRA disseram-me que reuníamos todas as condições para aqui fazer esta prova. Isso acabou por chegar aos ouvidos de muita gente e o XTERRA acabou mesmo por me convidar para fazer cá uma prova. Era um objetivo inimaginável, pois nunca tinha pensado cá fazer um XTERRA e eu fiquei a matutar, acabando por lançar o desafio à Câmara Municipal da Golegã. A Câmara acreditou, apostou e com todo o empenho, conseguiu-se realizar uma prova muito gira e muito boa. Nós neste tipo de coisas, podemos fazer tudo perfeito, tudo bem, mas nunca sabemos se os atletas gostam, e a nossa grande conquista é os atletas gostarem da prova. Fizeram, voltaram e continuarão a repetir a prova. Estamos a falar de uma prova com atletas profissionais e o número de atletas de ano para ano tem vindo a crescer."
Pedro Quintela com um conjunto de atletas da Escola de Triatlo Núcleo Sporting da Golegã

Pedro Quintela é um nome bastante acarinhado no triatlo nacional. Treinador do Núcleo do Sporting da Golegã, quem com ele de perto convive, sabe a forma apaixonada com que exerce as suas funções de treinador nesta equipa.

Na sua família respira-se triatlo e provavelmente é esse o grande segredo da receita de sucesso para conciliar os seus afazeres profissionais e familiares com a vida de treinador.

Devido à profissão que exerce, professor de educação física, no triatlo considera-se também um pedagogo, e o facto é que é indissociável a facilidade com que consegue encontrar a melhor explicação, o melhor entendimento e obter a melhor compreensão quanto à forma como passa os seus treinos. Quanto à forma, em como se disponibiliza para abraçar tudo isto, diz-nos:

"Quando se tem oportunidade de se fazer aquilo se ama, tudo se torna bastante mais fácil e consequentemente arranja-se sempre tempo para tudo."

Nos treinos faz questão de criar situações em tudo semelhantes às vividas durante as provas e isso esteve bem presente nos treinos de ciclismo que assistimos, onde a insistência no aperfeiçoamento das transições foi uma constante. Sem descurar a parte técnica na corrida, onde houve sempre lugar a pequenas dicas para melhorar o seu aperfeiçoamento, mas foi nos treinos de natação que verificámos um cunho muito pessoal do professor Quintela. Uma vez mais, estes treinos eram realizados o mais próximo possível da realidade das provas. Os treinos, sempre muito direcionados para a prática do triatlo, fez-nos presenciar um treino diferente, onde se procurou fazer algo mais do que os treinos de natação pura. Pedro Quintela aposta no desenvolvimento do “Nado do Triatlo” procurando com isso, introduzir nos treinos situações em tudo semelhantes ao que um atleta vai encontrar em prova. “Trazer para os treinos situações que se vivem na competição, preparando os atletas para ambientes onde o mar está mais encrespado, onde a espuma da partida dificulta a progressão”, leva-o a optar por dar treinos pouco convencionais para quem está habituado a ver treinos de natação pura. Promover o contacto entre atletas, são estratégias que desenvolvem durante os treinos e procura-se com isso evitar que o atleta se atrapalhe numa situação semelhante e não perca tempo nesses contatos fortuitos. “É muito frequente em prova haver miúdos que nadam em direções diferentes, atravessando-se na frente de outros atletas”, por isso procura que eles saibam contornar esse tipo de obstáculos, desenvolvendo uma técnica de viragem sobre si mesmo para prosseguir a sua natação sem mais perca de tempo. Simular partidas da boia, “para que se sinta aquela confusão da partida”, desenvolver a natação de triatlo de forma a estimular a orientação, porque se isso não for estimulado em treino, eles vão chegar à prova e vão perder a orientação para a boia.

Depois, há também exercícios específicos para desenvolver mais resistência e força dentro de água, como é o caso de um dos exercícios que foi feito a pares; o “puxa, empurra”. Outro efeito consequente deste treino a dois é o desenvolvimento do espírito de equipa. Quintela diz-nos: “Procuro ir ao encontro das especificidades do triatlo. Sou apologista que não devemos ser só treinadores de natação, de ciclismo ou de corrida. Devemos ser treinadores de triatlo e eles devem ser treinados de acordo com as especificidades da nossa modalidade.”

Sobre os treinos que assistimos, interrogamo-nos sobre a presença de atletas mais velhos que estava também a fazer em conjunto o treino. Pedro Quintela explica-nos:

“O clube não possui ainda uma estrutura que permita ainda ter uma condição para possuir mais do que um treinador, até porque ainda não se justifica. Sendo eu o único treinador do clube, tenho que encontrar um ponto de equilíbrio, pois eu acabo por treinar os grupos todos. Alterando as intensidades e as cargas, consigo ter os grupos a trabalhar todos ao mesmo tempo, com dinâmicas próprias e até agora, nestes três anos, tem sido francamente benéfico e positivo. Criou-se aquele espírito de família, onde os mais velhos estão sempre a puxar pelos mais pequeninos, e os mais pequeninos incentivam sempre os mais velhos. Há uma interajuda muito grande e a experiência dos mais velhos é transmitida aos mais novos, enquanto a juventude e o seu natural dinamismo ajudam e motivam os mais velhos. Sinceramente, acho que as coisas estão muito bem.”
Atletas mais velhos durante um treino de ciclismo

Relativamente aos apoios, “a Câmara Municipal tem sido espetacular, proporcionando-nos umas condições extraordinárias, conseguindo ter à nossa disponibilidade, quer ao nível de pista, quer ao nível de piscina, condições ao mais alto nível. Ainda há que frisar que a Câmara está sempre disponível para nos assegurar transporte para as provas. A única coisa que nos falta, é mesmo, mais miúdos”. E se este é um problema com que Pedro Quintela se depara, não é menos verdade que também sobre isso há estratégias pensadas e que a seu tempo hão-de dar os seus frutos, pois as apostas que o clube tem feito na organização de provas, como é o caso de sucesso do XTerra da Golegã, junte-se também as provas do Arrepiado e do Semideiro etemos aqui um conjunto de provas que envolvem muita gente. É tudo um trabalho de paciência, cujo objetivo é dar visibilidade à modalidade na região. Depois temos que esperar que os miúdos se sintam atraídos pelo triatlo e que depois procurem o seu clube na região, dos vários que aqui existem.

Treino de corrida em pista

Ficha Técnica

Propriedade
SOEDIT-Unipessoal, Lda.
NIF: 514072202
Nº Registo na ERC - 126893
Administração
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Director
Filipe Valente
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Redacção
José Henriques
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Tamára Branco
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Fotografia
Clarisse Henriques
José Henriques
Rossana Ferreira
Sofia Henriques
Tamára Branco
Unspotdesign - Filipe Pereira
Inês Subtil (Foto do João Pereira)
Carlos Ribeiro (Azores Airlines)
Colaborações
David Caldeirão
João Pereira
Diogo Custódio
Filipe Valente
Helder Milheiras (Migalhas)
Tiago Silva
Design Gráfico
Filipe Pereira (UNSPOT DESIGN)
Sofia Henriques
Francisco Henriques
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Condat Silk 225 grs
Miolo
Condat Silk 100 grs
Encarte Publicitário/dt>
Condat Gloss 135 grs
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Impressão
Mx3 Artes gráficas
Parque Industrial Alto da Bela Vista
Pavilhão 50 - Sulim Park
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417371/16
Distribuição
Distrinews
Rua 1º de Maio
Centro Empresarial da Granja
2525-572 Vialonga

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