Capa

Capa da edição 1 da Revista Triatl3ta

Editorial

Nota dos Editores

Fazer da Triatl3ta a revista de todos os triatletas é o grande objetivo desta publicação. Há mil e uma ideias em curso e tudo aponta para que os temas abordados sejam cada vez mais da autoria daqueles que mais responsabilidade têm na modalidade. A presença e a colaboração assídua na construção da linha editorial da Triatl3ta é já uma realidade, até porque sensíveis ao tema, são os próprios que melhor sabem quais os mais importantes temas a abordar. A colaboração assídua de triatletas será cada vez mais forte e as rúbricas que assinam dão o mote para que exista uma interação entre o leitor e o seu corpo redatorial.

A partir deste número, inclusive, contamos com a preciosa colaboração do João Pereira, que mensalmente assinará uma rúbrica de opinião na Triatl3ta. Hélder Milheiras, um verdadeiro apaixonado por esta modalidade, entre outras colaborações, assina uma nova rúbrica chamada “SMS do Migalhas.” Diogo Custódio, também presta uma enorme ajuda aqui ao assinar uma rúbrica que irá lembrar a importância dos treinadores de triatlo no desenvolvimento do atleta e da modalidade. A nossa Tamára Branco, abraçou esta ideia, e é quem dá a cara nas muitas entrevistas que nos propomos a fazer. Poderia aqui fazer uma enorme lista de agradecimentos, porque a verdade é que de uma forma generalizada, esta família do triatlo abriu-nos as suas portas, recebendo-nos tão bem que nos fez sentir que pertencemos a esta fantástica família. Mas na génese deste projeto, pela força que nos deram estão também triatletas que pela paixão que nutrem pelo triatlo, deram-nos a coragem para avançar com esta ideia. Falamos do David Caldeirão, do Paulo Antunes, do Marco Sousa e do Filipe Valente.

Achamos que esta revista é pertença dos triatletas, faz todo o sentido que a mesma seja dirigida por alguém que conheça verdadeiramente a modalidade e que seja Triatleta. Por essa razão, já a partir deste número, convidámos para diretor desta publicação o Filipe Valente.

Que a nossa prova seja de Longa Distância. 'Bora lá!

Sofia e Miguel
Filipe Valente - Editor da Triatl3ta

Filipe Valente

Nesta altura do ano enquanto faço o balanço de mais uma época desportiva eis que me aparece um desafio para o qual nunca me preparei! Ser director da revista Triatl3ta. O quê?! Sim isso mesmo, director da revista Triatl3ta, ora aqui está algo que nunca me tinha passado pela cabeça! Mas, se por vezes comento que não me revejo em determinada forma de trabalhar ou de passar informação, aqui está a oportunidade de tentar fazer algo diferente, inovador e que vá ao encontro dos valores e da cultura desportiva de forma imparcial e transparente sem vergar às adversidades.

Receber este convite deixou-me, apesar de inicialmente perplexo, extremamente honrado e feliz, por isso estou muito grato. Obrigado Sofia e Miguel.

Nos últimos anos o Triatlo tem vindo a crescer em número de escolas de formação e em atletas federados, tornando-se numa das modalidades olímpicas que melhores resultados de crescimento tem apresentado quer a nível individual quer a nível internacional. No entanto, em Portugal esta modalidade contínua a ter pouca expressão na comunicação social. O nosso principal objetivo será ajudar a colmatar esta questão e divulgar a modalidade.

Se fosse fácil não seria para a Triatl3ta.

Filipe Valente
Editor

Sumário

Opinião

5

João Pereira

João Pereira terá sempre uma página de opinião na nassa revista

23

Hélder Milheiras

Apaixonado pela modalidade, Helder milheiras inicia aqui uma rubrica mensal

Entrevistas

6

Katarina Larson

Com uma extrordinária simplicidade, a triatleta do Sporting recebeu-nos nas piscinas do seu clube e falou-nos um pouco de si

16

Andreia Ferrum

Fomos ao CAR de Rio Maior falar com a nova aquisiçãodo Clube Olimpico de Oeiras. Andreia explicou-nos como é o seu dia a dia

18

Luís Lopes

Nas excelentes instalações do Colégio Vasco da Gama, fomos conhecer um pouco do dia a dia do jovem atleta do CNCVG

É o novo presidente da Federação Triatlo de Portugal. Na sua forma prática, descontraída, mas objetiva, Vasco concedeu falar-nos um pouco do projeto e do trajeto que o trouxe até aqui

Competições

26

Vilamoura

Triatlo Longa Distância

31

Açores

VII Azores Airlines

33

Santarém

Duatlo PORTerra

36

Figueira da Foz

Triatlo Contrarelógio por equipas

Portugueses lá fora

46

Pedro Gomes

Em entrevista exclusiva à Triatl3ta, Pedro Gomes o triatleta de longa distância a residir e competir nos Estados Unidos, revela-nos a sua vida

50

Lúis Diogo Santos

Na época de 2016, apenas dois triatletas portugueses, emigrantes, conseguiram qualificaçao para o Ironman do Hawai

Competir lá fora

45

Arizona

José Estranjeiro e Pedro Gomes

51

XTerra Hawii

Rui Galinha

52

Dahkla

Alexandre Nobre, João Ferreira e Ana Filipa Santos

53

Miyasaki

João Silva e Filipe Azevedo

Escolas

João Pereira

"O triatlo não é só nadar, pedalar e correr, é muito mais que isso! É paixão!"

João Pereira

É de enfatizar a coragem de quem arriscou para lançar esta publicação que vai dar mais voz ao triatlo português dando destaque a todos os heróis deste nosso desporto. Eu, que sou um apaixonado pelo triatlo (de outra maneira não podia ser) não poderia ficar indiferente a esta iniciativa que é mais um meio de divulgação desta nossa modalidade. Aqui irei partilhar curiosidades sobre o meu dia a dia, técnicas que utilizo nos meus treinos e nas competições em que participo. Contar-vos aquilo que vocês querem saber sobre mim, dar-vos a minha opinião sobre diversos assuntos técnicos e que considero pertinentes sobre este desporto exigente. Sintam-se à vontade para passar pelo meu facebook e deixarem a vossa opinião ou a vossa questão. O triatlo não é só nadar, pedalar e correr, é muito mais que isso! É paixão!

Só com essa dose de paixão pela modalidade é que conseguimos despender muitas horas do nosso dia a treinar para aquela determinada prova, que, quer se tratem de treinos feitos por amadores quer sejam feitos por profissionais têm em comum um mesmo objectivo: chegarmos à prova e conseguirmo-nos superar! Sentir que conseguimos nadar um pouco mais, que conseguimos fazer o ciclismo melhor e com mais à vontade e que depois disso ainda conseguimos correr 10 km a uma boa velocidade! Fazer triatlo é superarmo-nos, é superar aqueles imites que à partida pareciam impossíveis de alcançar. Após um ciclo olímpico onde pela primeira vez o triatlo nacional consegue o feito de levar ao Jogos Olímpicos a cota máxima de atletas masculinos, fico bastante orgulhoso por fazer parte disso e sinto que se torna urgente fazer mais pelo triatlo nacional.

O triatlo, quer nacional quer internacional vive tempos prósperos. A cada ano que passa torna-se mais conhecido e ganha mais adeptos e espectadores. A nível nacional, há que aproveitar esse fluxo internacional e ajudar a modalidade a crescer nacionalmente. Incentivar as nossas crianças a praticar triatlo, incentivar os clubes e criar iniciativas em que se possa dar a conhecer a modalidade às pessoas comuns que nunca pensaram em participar num triatlo. Ninguém fica indiferente depois de realizar o seu primeiro triatlo, ninguém fica indiferente depois de conseguir completar uma prova, ninguém fica indiferente depois de conseguir realizar aquilo a que se propôs e que uns meses antes seria impossível de conseguir. Aproveitemos isso, trabalhemos com afinco, ambicionem querer mais e todos juntos conseguiremos mais pela modalidade. Contem comigo!

Vasco Rodrigues

Na sua primeira entrevista à revista Triatl3ta já como presidente da Federação Triatlo de Portugal, Vasco Rodrigues fala-nos um pouco de si, do seu trajeto e do seu projeto para o triatlo nacional

Vasco Rodrigues, Presidente da Federação de Triatlo de Portugal

Encarando sempre o desporto numa perspetiva de lazer e de sociabilização, Vasco Rodrigues, experimentou entre outras modalidades a natação, o btt e a corrida. Esta paixão que nutre pelo desporto influenciou a sua opção profissional, razão pela qual ingressou na Faculdade de Motricidade Humana abraçando o curso de gestão de desporto. O seu primeiro contato com o triatlo deu-se depois de concluir o seu curso e de ter estagiado num programa da Câmara Municipal de Oeiras de nome “Oeiras Viva.” A sua entrega e capacidade de trabalho permitiu-lhe ingressar na Câmara Municipal de Oeiras e coube-lhe como uma das suas tarefas organizar o Triatlo de Oeiras. E foi exatamente aqui, no Triatlo de Oeiras que Vasco Rodrigues teve o primeiro contato com David Vaz e com Bruno Salvador. A empatia foi imediata e o desafio da Federação Triatlo de Portugal para incluir a equipa acabou por surgir. Abraçando o projeto, Vasco Rodrigues torna-se delegado regional, passando para a área da competição, acabando por assumir o cargo de diretor de competições.

As recordações que traz dessa altura, são muitas e boas e recorda com saudosismo uma equipa jovem e muito dinâmica, cheia de cumplicidade. Em determinada altura as discussões sobre as ideias do que poderia ser diferente e o que não podia, deram lugar a um projeto, numa altura em que o Nuno Dias, vindo da natação já estava também envolvido no projeto. Vasco Rodrigues, David Vaz e Nuno Dias alimentavam a ideia que juntos poderiam fazer algo de melhor e diferente para o triatlo. Infelizmente, por contingências da vida, não foi possível concretizar com o David e com o Nuno, pioneiros do projeto, mas Vasco Rodrigues, recém eleito presidente da Federação Triatlo de Portugal acredita que a atual equipa irá conseguir fazer um trabalho de transparência e de evolução da modalidade.

Em primeira mão, Vasco Rodrigues, na primeira pessoa, responde-nos a algumas questões mais pertinentes naquela que é a sua primeira entrevista enquanto presidente da FTP.

O triatlo ainda é visto como modalidade para elites e ao alcance de poucos, consideras possível transformá-la numa modalidade para as massas como vimos no atletismo e no btt?

Vejo os jovens nas escolas de triatlo e nos clubes como uma forma de atrair mais atletas, a modalidade está a crescer e se hoje é a criança que faz triatlo a seguir vem o pai que experi menta e acaba por se filiar também, identifico aqui uma área a explorar. Vemos também as provas de águas abertas, ciclismo ou corrida em que os atletas vão experimentar o triatlo e acabam por ver nelas uma forma de superação e desafio pessoal, e aqui também existe muito para explorar e alimentar.

Temos provas como a São Silvestre de Lisboa onde normalmente os triatletas se apresentam à partida com as elites do atletismo, e é notório que o organizador tem o cuidado de informar pelo speaker e pelos cartazes essa mais valia para a prova e para a modalidade, porquê não capitalizar esta situação para as grandes cidades onde existem eventos desta dimensão?

Isso é fundamental. Tocaste num ponto que é importante e que faz parte do nosso programa; o de procurar todas as sinergias que possamos capitalizar para a modalidade. Até então a federação tem estado com medo de abrir portas. Deixar que outras organizações entrem na vida da modalidade é uma forma de captar apoios e sinergias, apoios de conteúdos. Assim como uma publicação como a vossa necessita de ter a máxima divulgação até pela federação para que o triatlo chegue a mais pessoas e tenham informação da vida da modalidade, e mesmo na internet, existem imensas pessoas a debitar informação do triatlo e também essas necessitam de ser alimentadas e acarinhadas. Esta direção fez uma contenção de custos muito bem conseguida, mas com medo de gastar dinheiro, não procurou sinergias e apoios que não fos sem dispendiosos. O trabalho a que nos propomos não é de gastar, mas sim o de procurar soluções, de divulgar a modalidade. Dentro de casa temos pessoas capazes, altamente competentes e queremos que elas trabalhem com mais 50% de gosto pelo que fazem. Com isso obtêm mais motivação e darão ferramentas a outros para que elas ajudem a divulgar a modalidade. Trabalham ali um conjunto de 20 pessoas e temos de abrir a porta e arranjar incentivos para que outros se sintam da mesma forma motivados e divulguem o triatlo. Este beneficia de uma comunidade de triatletas muito especial e ainda há bem pouco tempo, um almoço de triatletas da longa distância teve um impacto fabuloso, com mais de centena e meia de apaixonados presentes no almoço convívio ( Ironlunch,ndr). Existe muita massa criativa e pessoas com vontade de trabalhar em prol do triatlo.

Entre o ato eleitoral e a tomada de posse da nova direcção existem 15 dias. Já pensaste em alterações ou medidas que julgues necessárias assim que assumires os destinos da federação?

Pessoalmente discordo das pessoas que entram a querer mudar tudo! Acho que as pessoas têm de ter a humildade de perceber o que os rodeia e de se enquadrar na realidade antes de começar a alterar, especial mente quando tomamos posse já tão em cima do acontecimento, com o calendário à porta, a necessidade de conceber e aprovar o orçamento e plano de atividades e a consequente obrigatoriedade de entregar os formulários de candidatura ao IPDJ até dia 13 de Janeiro... Ou seja, os nossos objetivos imediatos são: a formação da equipa de trabalho, integrando os elementos da direção e os funcionários e garantindo a harmonia dessa estrutura; a tranquilização dos clubes, organizadores e atletas do que irá ser a sua época, para que estes possam começar os seus planeamento e, face a esta necessidade e aos próprios compromissos já assumidos, iremos manter modelos muitos similares aos da época transata. De qualquer forma, há áreas em que conseguiremos já adotar as novas ideias, nomeadamente no que diz respeito à autonomização e dinamização das Delegações Regionais, à garantia de maior aproximação com os clubes e desenvolvimento de novos programas de apoio às escolas ou à reestruturação da área de comunicação.

Na última entrevista à Triatl3ta, dizias que da forma como está estruturado o quadro competitivo, este absorve todos os meios humanos e tem enormes custos para a federação. Como vais contornar esta situação em 2017?

Os compromissos estão assumido e estão protocolados. A federação deu a sua palavra às autarquias e neste momento não podemos alterar nada, ou seja este ano será um ano de esforço suplementar mas no próximo ano já iremos alterar de acordo com o nosso projecto.

Estamos a um mês de iniciar a época desportiva de 2017. Será nas Lezírias o apadrinhamento da tua estreia como presidente da federação e será o início de um novo ciclo. Já pensaste como será essa estreia, como é que as pessoas irão receber o novo presidente? Até ao momento só os clubes e as listas concorrentes e os delegados é que estiveram a acompanhar esta nova realidade! Nas Lezírias será o momento de dar a cara à comunidade triatlética e às entidades envolvidas.

Será um momento emocional enorme sem dúvida. Estou ansioso por esta tarefa hercúlea, queremos muito dar início ao projecto e vamos ao trabalho. Só sabemos que esta é a equipa certa e que este é o projecto certo depois de darmos início a tudo o que rodeia a federação. Vamos sem receio de falhar e com muita motivação de avançar no rumo certo.

Uma das preocupações da comunidade triatlética serão as provas da taça do mundo que arrancam já em fevereiro. Na tua candidatura foste crítico para com a direcção anterior em relação à estrutura técnica. O Lino Barruncho vai continuar a ser “pau para toda a obra” ou irá ser reforçada a estrutura técnica e o apoio às elites?

Esse será um grande tema, com as provas a dar início já em fevereiro e com critérios de seleção que não são os nossos e que já deveriam de estar alinhavados. Já temos programada uma reunião técnica e a estrutura será reforçada no imediato com o Paulo Antunes e o Pedro Leitão. Estas são as contratações imediatas e fazem parte do nosso projecto. Os critérios de seleção que vamos ter para 2017 não são os nossos mas são os possíveis e os que estão em curso, será importante manter para tranquilizar os atletas com a devida antecedência, temos de dar as garantias e as motivações para eles continuarem a treinar. O Lino será reforçado desde já.

Assistimos a uma enorme presença dos delegados neste ato eleitoral, mas não vemos o mesmo interesse ao longo das assembleias gerais. Pelo facto de terem sido umas eleições bastante disputadas e com enorme interesse, que palavras tens para com as outras listas e candidaturas?

O facto de termos tido três candidatos foi benéfico, trouxe mais discussão. Apesar de termos ideias diferentes, consigo ver nos outros projectos algumas ideias que são boas e devem de ser aproveitadas. Acima de tudo foi um processo eleitoral tranquilo, mas obviamente que é um processo eleitoral, mas julgo que foi muito construtivo. Mostraram a vivacidade e a vontade de estarem na decisão da modalidade, mas mostraram acima de tudo tranquilidade e espero ter os dois candidatos tão próximos quanto possível. Existe uma preocupação que é sintomática na leitura dos resultados. Foi-nos dado um voto de confiança, mas numa posição chave como no conselho fiscal ganhou outra lista, como que dizendo que vamos confiar este conselho a outra lista. É uma forma de reconhecer o trabalho do Feijão, o que reconheço e subscrevo. É um feito que o eleitorado tem e sentimo-nos confortáveis com essa situação e ajuda que a equipa do Leandro e o Conselho Fiscal pode dar. No mesmo caso estará a Anabela e a sua equipa no Conselho de Arbitragem. É a árbitra mais internacional de Portugal, tem todos os valores e só pode dar um enorme contributo como tem feito até aqui. Independentemente de quem ganha as eleições, eu apresentei esta candidatura para trazer as pessoas para o triatlo, os patrocinadores, as entidades, a comunicação social e as outras candidaturas com as suas ideias ou a sua crítica serão também importantes.
Vasco Rodrigues, Presidente da Federação de Triatlo de Portugal

Escola de Triatlo Sport Lisboa e Benfica

Localizada no Entroncamento, distrito de Santarém, a Escola de Triatlo do Sport Lisboa e Benfica é uma realidade bastante recente. A falta de espaço e o elevado número de praticantes que participam nas várias modalidades no complexo de piscinas no Estádio da Luz, não foram impeditivas para que o Sport Lisboa e Benfica apostasse numa escola de formação de triatlo, razão pela qual esta se encontra deslocada de Lisboa. O seu surgimento está relacionado com a aposta que o clube fez para os ciclos olímpicos quando decorria o ano de 2013 e numa altura em que já só contavam com Bruno Pais, Vanessa Fernandes e Alexandre Nobre na equipa, foi decidido alargar a equipa para o ciclo Olímpico de 2016. João Mascarenhas é chamado ao clube para assumir um cargo técnico, coordenando a equipa absoluta. Quase todos os atletas chamados para a equipa na altura, eram já atletas de seleção e trabalhavam no Centro de Alto Rendimento (CAR), ficando a cargo de João Mascarenhas a coordenação geral da equipa e o enquadramento dos atletas que não estavam no CAR. Deslocámo-nos ao Entroncamento e fomos conversar com o João Mascarenhas para conhecer um pouco melhor a Escola de Triatlo do Sport Lisboa e Benfica.

Escola de Triatlo Sport Lisboa e Benfica

Como é que surge a Escola de Triatlo do Sport Lisboa e Benfica no Entroncamento?

No início, em 2013, e a par do projeto da equipa absoluta, tínhamos projetado a escola de triatlo para Lisboa, mas a sobrelotação das piscinas do Estádio da Luz, onde a afluência é muito grande, muito por culpa das excelentes condições que oferece, impediu que o projeto avançasse em Lisboa em instalações próprias do clube. Por outro lado, havia um grupo de jovens triatletas que eu acompanhava, com imenso valor, e cujos pais insistiram para criarmos uma solução de continuidade, o que não estava previsto pois as minhas funções no SLB seriam apenas com a equipa absoluta. Avaliados todos os fatores, acabamos por fazer esta aposta em ter um polo de formação "provisório" e deslocado de Lisboa, sentindo que de facto tínhamos ali valores muito bons a quem devíamos dar continuidade e ajudar, pois iriam sem dúvida dignificar o clube. Foi assim que demos os primeiros passos para a criação da Escola de Triatlo do Sport Lisboa e Benfica que existe atualmente. Criamos uma parceria com um clube de natação local, e daí as coisas foram evoluindo. Tivemos alguns resultados interessantes e começamos a sentir a falta de não ter uma equipa maior, para termos aquela coisa engraçada no triatlo jovem, que é o resultado coletivo. Nessa altura éramos apenas 10 atletas e o nosso objetivo era apenas manter esse pequeno grupo com o excelente funcionamento que vinha tendo! Chegados ao final da época de 2015 decidimos fazer crescer a equipa e a prova mais marcante disso foi na Figueira da Foz, na prova de estafetas, onde que acabámos por ganhar e ficar em terceiro lugar no Campeonato Nacional. Nesta época de 2017 estamos a dar um passo em frente, que é ter a escola toda com um enquadramento técnico SLB, em especial na área da natação, o que até aqui não acontecia. Queremos fazer a base toda aqui no Entroncamento, terra dos fenómenos e dos comboios, de onde sou natural e tenho por isso um orgulho especial.

E relativamente a outros atletas de outra zona do país que queiram vir para a Escola do Benfica?

O nosso complexo de piscinas EDP é um exemplo, um verdadeiro modelo de gestão e isso traduz-se numa enorme afluência no plano de águas, em especial nos horários nobres que permitam o funcionamento da escola dadas as idades envolvidas. Essa é a razão pela qual não estamos em Lisboa - estádio da Luz como escola de triatlo. Os treinadores da equipa sou eu e o Manuel Alves, que está sediado em Lisboa. Tem sido ele a assumir a coordenação da equipa absoluta, embora eu também treine alguns atletas da equipa absoluta. O Manuel e também um excelente treinador de jovens, tendo sido selecionador nacional no passado, mas de facto não nos e para já possível ter essa estrutura no estádio da luz.

Podemos dizer que é vossa prioridade a formação dos atletas para que possam vir a integrar a equipa principal?

Sim claro. Com total cuidado pelo seu correto desenvolvimento global, claramente o nosso objetivo é formar o futuro não só da nossa equipa, mas da seleção nacional. A nossa missão é formar jovens atletas para que quando terminem o seu percurso de escola de triatlo, se quiserem ingressar na alta competição estejam habilitados para isso. Não queremos campeões prematuros e à custa de desequilíbrios de excesso de treino em idades jovens. No escalão de cadetes começa a ser um pouco mais a sério e muitos iniciam a sua carreira internacional. O que verifico, em 15 anos como técnico de triatlo, é que muitos jovens nacionais chegam a este escalão saturados do treino que lhes administraram e desistem ou estagnam a sua evolução. Felizmente temos sabido gerir isto com bastante qualidade e temos um grupo com uma alegria de treino fantástica, com 100% de aproveitamento escolar na equipa, e com vários atletas a serem distinguidos pelas suas notas escolares. Em termos desportivos temos vários talentos a despontar, a maioria deles sem qualquer passado desportivo e muitos sem saber nadar, literalmente. Este ano temos o João Rafael Protásio a transitar para a classe de cadetes. No ano passado fez marcas de top nacional no atletismo, foi 3º no campeonato nacional de Duatlo e 4º no Triatlo e Aquatlo. Acima de tudo tem revelado um conjunto de capacidades muito interessantes, e principalmente sinto-o completamente capaz de decidir o processo desportivo dele, muito consciente do que gosta. Tem um potencial de desenvolvimento enorme com o tipo de trabalho que fizemos. Eu como treinador levei-o a chegar aqui, a tomar decisões coerentes, conscientes e que não se vai arrepender quando for mais velho, olhando para as experiências que teve com toda a alegria. Isso é muito importante, porque lhe permite dedicar-se ao treino por sua inteira vontade e em total controlo da sua vida e carreira desportiva.
Escola de Triatlo Sport Lisboa e Benfica - Treino de BTT
Escola de Triatlo Sport Lisboa e Benfica - Treino de BTT

E em relação aos pais? Como é a relação com o Clube? Sentes diferenças de clube para clube?

O Benfica é o melhor clube do mundo! Claro que todos na equipa têm um orgulho enorme no clube e vivem o dia a dia do futebol, do basquetebol, da natação e de todos as modalidades do clube. Muitos pais são sócios também. Sentem o emblema e tentam sempre dignificar ao máximo o maior clube português e para mim do mundo! No ano passado fomos ao centro do relvado durante um jogo e, claro, as pessoas sentem um enorme orgulho de ver os seus filhos lá. Depois são as referências dos triatletas da equipa absoluta; o João Pereira, o João Silva, o Miguel Arraiolos, são muito importantes. Portanto de clube para clube sinto. Mas em relação à modalidade é diferente. Esta é a minha terceira equipa. Iniciei como treinador em 2002 no Cartaxo, onde também fui campeão nacional jovem e vencemos muitos títulos individuais, numa equipa onde saíram muitos atletas para as seleções, alguns ainda em atividade como o João Serrano ou a Andreia Ferrum. A relação foi quase sempre a mesma. A nossa modalidade exige isso, um grande envolvimento dos pais. Sem os pais é impossível existir um clube de triatlo, porque isto tem uma logística enorme, desde lavar bicicletas, às mudas de roupa, os pais têm mesmo de gostar da modalidade, se não fica tudo muito difícil. Na Golegã também tinha um grupo enorme de 40 atletas jovens e mais 40 absolutos e sem os pais não tínhamos também sido campeões nacionais jovens, nem alcançado os muitos títulos nacionais que alcançamos em vários escalões. A modalidade é muito exigente e muito especial. As famílias ou gostam e se apaixonam pela modalidade ou não se fica. Temos tantos afazeres que só com paixão se tem um filho triatleta.

Quais são as ambições para o Benfica em 2017?

A nível de escola os objetivos são de solidificação do realizado em 2016. Deixar os nossos atletas ganharem mais experiência desportiva e melhorarmos o segmento de natação onde alteramos o enquadramento técnico. A maioria dos nossos atletas não vem de modalidade nenhuma. Muitos aprenderam agora a andar de bicicleta e estão a aprender a nadar. Estamos ainda a construir. Este ano fomos vice-campeões. O Alhandra é uma equipa excelente, já com uma tradição de muito anos, e nós sabemos que ainda nos faltam algumas coisas para ter esse percurso. A bem dizer, com esta equipa temos uma época a tempo inteiro. Por exemplo a Mariana Carvalho (juvenil vice-campeã nacional de Aquatlo e 3ª no Triatlo) obteve já resultados excelentes, mas tem uma montanha de aprendizagens a fazer, naturais para quem começou a fazer desporto a cerca de 1 ano e meio. De igual modo é muito importante ensinar aos pais e atletas esta nova rotina de vida, que choca com muita coisa. São os fins de semana onde se tem que acordar cedo, quando estávamos habituados a acordar tarde, o tempo livre mais reduzido, a organização escolar necessária, etc. Vai ser um ano a ganhar estabilidade e a consolidar esta equipa que se iniciou o ano passado. Não podemos querer mais que o possível. Vamos alargar mais a equipa, temos capacidade para isso, apesar de eu ser o único técnico. Tenho uma equipa de pais fantásticos por trás e este ano teremos mais uma classe de 15 novos atletas. Em termos de equipa absoluta renovamos contratos com os nossos 3 atletas olímpicos para o próximo ciclo olímpico, o que é muito importante, sendo prioridade do clube que reforcem as suas presenças olímpicas com resultados ainda mais significantes, bem como se vão assumindo ainda mais nos campeonatos do mundo e da Europa. Os três têm todo o potencial para isso, e são claramente de um lote de atletas de topo mundial. Recebemos também a Melanie Santos, uma triatleta que revela enorme potencial para estar presente nos próximos Jogos Olímpicos, extremamente focada e inteligente, bem como o Vasco e Vera Vilaça, talentos que já venceram inúmeros títulos nacionais e que no caso do Vasco tem conseguido já uma afirmação internacional muito grande, com muitas provas internacionais para vencer, e os olhos postos em 2024. Para além disto temos jovens a crescer da nossa formação, a iniciar nos escalões acima, como o Leonardo Aniceto, que fez a sua primeira internacionalização em 2016, o Bernardo Aguiar que é uma promessa bastante forte e o já referido João Protásio.

Fala-nos um pouco da importância e da ideia global do vosso projeto relativamente a um Benfica Olímpico?

Bem, nós surgimos com uma forte ligação à seleção nacional, apostando nos melhores talentos nacionais da modalidade. Digo apenas os nacionais, porque de facto pretendemos ser um polo inequívoco de formação de atletas de alta competição apoiando-os com os meios que fazem a diferença nas grandes competições internacionais, e que em Portugal, apenas o projeto olímpico do Sport Lisboa e Benfica consegue, já que é complicado para as federações e instituições apoiar a todos devidamente, até pelos constrangimentos orçamentais. No triatlo a maturidade desportiva acontece já numa fase da vida em que estabilidade financeira, os recursos necessários para o treino de alta competição, para as deslocações a provas de correto nível competitivo, a segurança e confiança de dispor de profissionais das várias áreas de apoio ao treino e gestão de carreira, são fatores essenciais para as pessoas fazerem esta opção de ter uma carreira desportiva. São tudo fatores que o projeto olímpico proporciona aos seus atletas e são fundamentais para os resultados de excelência, onde uma pequena diferença de segundos, diferencia a obtenção de uma medalha ou a queda de 10 lugares na classificação. Por exemplo o nosso secretário técnico, Paulo Gonçalves, é uma pessoa com uma ligação de anos com a modalidade, tendo sido vice-presidente da federação, e tem um conhecimento profundo do triatlo, com experiência internacional e uma série de fatores que ajudam imenso na hora de tomar as melhores decisões. Não se pode pedir o treino de alto rendimento a um atleta de 20 e muitos anos, sustentado quase na totalidade pelos pais, sem possibilidade de apoio quase nenhum a nível de nutrição, de recuperação e apoio psicológico... Não é possível pretender resultados de elite sem o apoio que o nosso projeto possibilita, numa simbiose com os restantes apoios, das federações, comité olímpico e outras entidades. E acima de tudo, de facto sem os profissionais corretos. Como o João Pereira disse no final dos Jogos do Rio - “arrisquei porque sabia que se falhasse, o Benfica iria manter a aposta em mim”. Isso só acontece com confiança nos profissionais que os apoiam, como ele sabe que tem desde cima no Sport Lisboa e Benfica, em especial na figura da nossa diretora, a Prof. Ana Oliveira. Mas o futuro entusiasma-nos. O nosso projeto olímpico e pioneiro, mais a recente entrada para a direção do Doutor Fernando Tavares, vice-presidente destacado para o Benfica olímpico, vem dar uma nova visão –diferenciada e reforçada –ao triatlo e ao Benfica olímpico. Seguramente uma mais valia a curto, médio e longo prazo. A recente revelação do presidente Luis Filipe Vieira, com a construção do Centro de Alto Rendimento para as modalidades também é algo de pioneiro em Portugal, revelando bem a forma séria, estruturada e ambiciosa com que sempre trabalhamos e que certamente contará para o futuro no Sport Lisboa e Benfica, nas modalidades individuais olímpicas e no triatlo especificamente.
Escola de Triatlo Sport Lisboa e Benfica

Ficha Técnica

Propriedade
SOEDIT-Unipessoal, Lda.
NIF: 514072202
Nº Registo na ERC - 126893
Administração
Sofia Henriques
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Director
Filipe Valente
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Redacção
José Henriques
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Tamára Branco
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Fotografia
Clarisse Henriques
José Henriques
Rossana Ferreira
Sofia Henriques
Tamára Branco;
Unspotdesign - Filipe Pereira
Inês Subtil (Foto: João Pereira)
Colaborações
David Caldeirão
João Pereira
Diogo Custódio
Filipe Valente
Helder Milheiras (Migalhas)
Tiago Silva
Design Gráfico
Filipe Pereira (UNSPOT DESIGN)
Sofia Henriques
Francisco Henriques
Capa
Condat Silk 225 grs
Miolo
Condat Silk 100 grs
Encarte Publicitário
Condat Gloss 135 grs
Publicidade
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Assinaturas
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Impressão
Mx3 Artes gráficas
Parque Industrial Alto da Bela Vista
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