Luís Nunes, Mário Santos, Sérgio Dias e Rui Costa são quatro triatletas portugueses apurados para a final IM em Kona, Havai. A Ironman adiou o evento de outubro de 2020 para 6 de fevereiro, ou, como opção, para 9 de outubro de 2021. Os portugueses já decidiram: preferem a segunda opção.

Rui Costa foi perentório em afirmar que ficou bastante aliviado com a decisão do adiamento para fevereiro, pois a prova a realizar-se em outubro deste ano ia contra tudo aquilo que estaria de acordo, tendo em conta o cenário atual do da pandemia do COVID 19. Fevereiro ou outubro são hipóteses em aberto, mas o triatleta dos Açores confidenciou-nos que o bom senso leva-o a inclinar-se mais para competir em outubro. Porquê? Na sua opinião, para competir em fevereiro, significaria atingir o pico de forma nessa altura. “Isso seria sinónimo de um sistema imunitário mais fragilizado, mais exposto e como a prova de fevereiro coincidiria com o Inverno nacional, treinos com chuva e mau tempo, aumentaria a suscetibilidade de contrair uma gripe”. Num cenário como este que estamos a viver, era contraproducente competir nessa altura do ano, por isso, a sua opção muito provavelmente recairá para outubro de 2021.

Por outro lado, “nesta altura há também fortes condicionalismos ao treino. Por exemplo na natação, as limitações aos acessos às piscinas e a incerteza quando estas irão reabrir, condicionam o treino da natação. É certo que os mares dos Açores são convidativos para treinos em águas abertas, mas a abundancia das alforrecas e das Caravelas Portuguesas, levam-me a pensar que a melhor opção será treinar este segmento na piscina”, explica Rui Costa. Depois a falta de ritmo competitivo. Até fevereiro não existem provas, logo iria alinhar sem ter competido nos últimos meses. Também a incerteza nos voos e a própria quarentena imposta nos Açores para quem vem de fora, empurram a decisão do Rui Costa para o próximo dia 9 de outubro de 2021.

Sérgio Dias apurou-se no IM da Malásia, numa das últimas provas de apuramento em 2019. Na sua opinião, esta decisão já foi tardia: “ Desde o inicio da pandemia este foi o único contacto da Ironman relativamente a este tema. Pessoalmente esperava mais de uma organização global com a dimensão da Ironman” – afirmou, naquele jeito frontal que se lhe conhece. Sobre a decisão se irá fazer a prova em outubro ou em fevereiro, está indeciso, mas inclina-se para o mês de outubro e principalmente por duas razões: “Primeiro porque um Ironman em Fevereiro significa treinar todo o inverno. E mesmo sabendo que o nosso inverno é climaticamente bastante generoso, continuariam a ser muitas horas a treinar no frio, chuva e de noite. Sinceramente, é algo que não tenho particular interesse me fazer. Segundo, perante o cenário atual, julgo que a prova em Fevereiro continua a envolver um grau de incerteza elevado. Há a incerteza se a Ironman conseguirá realizar provas de qualificação que justifiquem fazer uma prova em Fevereiro, e por outro lado não há qualquer garantia que a situação do covid19 esteja controlada ao ponto de as viagens serem possíveis e fáceis.”

Mário Santos apurou-se juntamente com Luís Nunes no IM da Argentina. A falta de comunicação da IM estava a deixá-lo apreensivo. Não tinha ainda nada marcado para este ano. As viagens, a estadia, tudo estava por fazer, por isso foi no misto de alívio, mas também de choque que recebeu a comunicação da IM do adiamento da prova. Para Mário Santos, fevereiro está completamente fora de causa. A grande final disputa-se em outubro e é em outubro que quer estar presente, até porque o seu aniversário é no dia 10 de outubro e terá um significado especial este aniversário no Havai. E a questão do treino no Inverno também influencia a sua decisão. Para o triatleta, à semelhança dos seus colegas, treinar no inverno irá expô-lo a uma maior fragilidade imunitária, pelo que a sua decisão irá recair decididamente para outubro de 2021.

Luis Nunes confessa-nos por esta ser a sua segunda participação, a ansiedade é menor. Para ele tudo indicava que a prova não ocorresse em outubro deste ano, por isso “surpresa seria se não fosse adiada”. A trabalhar em Angola, seria bastante difícil conciliar a preparação da prova para fevereiro, tendo em conta a época alta que vive profissionalmente nesta altura do ano, pelo que a sua escolha recairá certamente por outubro de 2021, à semelhança dos seus conterrâneos.