Na  edição 38   debatemos se estamos a viver "um tempo de ouro" no triatlo português.

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Editorial -   TEMPO DE OURO DO TRIATLO PORTUGUÊS

 

Durante muito tempo, falar em “  tempo de ouro  ” do triatlo português fez, necessariamente, falar de Vanessa Fernandes. A sua carreira redefiniu o lugar da modalidade no país e colocou Portugal no mapa internacional.  Hoje, ao percorrermos o país, a impressão dominante é que podemos estar a viver, novamente, a viver um momento único.

Fomos ouvir quem faz o triatlo todos os dias, clubes, treinadores, atletas, dirigentes, organizadores, especialistas e vozes independentes, e o consenso é surpreendentemente sólido: Portugal está a viver um dos melhores períodos da sua história no triatlo. Não apenas pelos resultados desportivos, mas pelo ecossistema que finalmente se consolidou. Há mais clubes estruturados, mais jovens em formação, mais provas com qualidade, mais comunicação, mais patrocinadores, mais profissionais dedicados e, acima de tudo, mais gente a descobrir que o triatlo não é um esporte impossível

Este crescimento não aconteceu por acaso. É fruto de um trabalho coletivo e persistente que atravessou vários ciclos, lideranças e contextos. Pela primeira vez desde o auge de Vanessa Fernandes, parece existir uma energia transversal, um otimismo partilhado e uma crença de que este ciclo pode não ser circunstancial.

Mas, e há sempre um “  mas  ” nos editoriais que importam, surge agora a verdadeira questão: como tornar este momento sustentável no tempo?

O tempo só será de ouro se deixar legado. E o legado não se construiu apenas com resultados. Construir-se com estruturas sólidas, com planejamento, com visão estratégica e com capacidade de resistência aos ciclos naturais de qualquer modalidade. Sustentar um boom exige mais do que a motivação do presente; exige decisões quentes sobre o futuro. É esse o grande desafio que temos nas mãos. Sim, temos, todos nós que adoramos esta modalidade.