Passavam poucos minutos da uma da tarde. Na televisão, dois aviões rasgavam as Torres Gémeas, em Nova Iorque. Depois daquele dia, o mundo nunca mais seria o mesmo. Mudou. Mudámos. Fomos obrigados a repensar a forma com vivemos. De um dia para o outro, passámos a habitar um planeta diferente. O desporto adaptou-se e venceu o medo.

Passaram quase vinte anos. Uma nova revolução está a mudar as nossas vidas. Esta revista é escrita numa altura em que o amanhã parece difuso. Cancelaram-se provas, eventos, recolheram-se os atletas e as equipas. Ainda é cedo para perceber o que aí vem. A verdade é que os valores do triatlo podem ajudar-nos a enfrentar este desafio. A entreajuda, a superação e a lealdade não serão a vacina, mas atenuam os sintomas. Há momentos assim. Saibamos, na nossa modalidade como na vida, cuidar uns dos outros.

Inês Pereira em Quarteira

Dedicamos parte desta edição ao espírito olímpico. A essa coisa bonita de termos o mundo unido em torno do desporto. Hoje, mais do que nunca, devemos olhar para os anéis olímpicos como antídotos contra as tentações dos isolamentos e nacionalismos. Vai haver quem acredite que esta pandemia se vence na construção de muros e barreiras entre as nações. Errado. Este momento vai ser derrotado com os valores que transportamos no dossier dedicado às míticas provas de ferro. Será preciso cerrar os dentes, abdicar do conforto, saber sofrer e confiar nos outros. É urgente o amor, como detalhamos no dossier do Dia da Mulher. E no amor, o cuidado e o respeito.

Temos nesta revista uma longa lista de recomendações contra a Covid-19. Substâncias activas que encontrámos no desporto, no triatlo e em cada um de vocês. Está na hora de sermos de ferro.